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O poço e a pedra
Escrito por Prof. Émerson Cruz   
Qui, 03 de Junho de 2010 01:23
Frequentemente nos deparamos com nossa própria resistência em não rever o entendimento que temos sobre fatos da vida.
Tal atitude, leva à estagnação do processo de crescimento interior e acaba por produzir tristezas, conflitos e, surpreendemente, culpa.
E culpa, definitivamente, não nos leva à lugar algum. Refletir sobre posicionamentos e entendimento da vida é tarefa FUNDAMENTAL em quem pretende crescer interiormente.
Claro que se trata de um processo exigente, desafiador e até mesmo indigesto algumas vezes, no entanto é tão importante quanto necessário!
Felizmente, disponibilizamos de vários artifícios para sabatinar nossa filosofia de vida de forma suave e até mesmo divertida. Um deles é a leitura de contos.
Particularmente, aprendo muitíssimo com eles.
Desde as parábolas do Universo Cristão aos milenares contos orientais.
Um deles, " O poço e a pedra", pode ser encontrado no livro Contos da Verdade [Massaharu Taniguchi] e aqui também!.

Um monge peregrino caminhava por uma estrada quando, do meio da relva alta, surgiu um homem jovem de grande estatura e com olhos muito tristes. Assustado com aquele aparecimento inesperado, o monge parou e perguntou se poderia fazer algo por ele.
O homem abaixou os olhos e murmurou envergonhado:

- "Sou um criminoso, um ladrão. Perdi o afeto dos meus pais e dos meus amigos. Como quem afunda na lama, tenho praticado crime após crime. Tenho medo do futuro e não sinto sossego por nenhum instante. Vejo que o senhor é um monge, livre-me então desse sofrimento, dessa angústia!" - pediu ajoelhando-se.

O monge, que ouvira tudo em silêncio, fitou os olhos daquele homem e alguns instantes depois disse:

- "Estou com muita sede. Há alguma fonte por aqui?"

Com expressão de surpresa pela repentina pergunta, o jovem respondeu:

- "Sim, há um poço logo ali, porém nele não há roldana, nem balde. Tenho aqui, no entanto, uma corda que posso amarrar na sua cintura e descê-lo para dentro do poço. O senhor poderá tomar água até se saciar. Quando estiver satisfeito, avise-me que eu o puxarei para cima."

O monge sorrindo aceitou a ideia e logo em seguida encontrava-se dentro do poço. Pouco depois, veio a voz do monge: "pode puxar!"

O homem deu um puxão na corda empregando grande força, mas nada do monge subir. Era estranho, pois parecia que a corda estava mais pesada agora do que no início.

Depois de inúteis tentativas para fazer com que o monge subisse, o homem esticou o pescoço pela borda, observou a semi-escuridão do interior do poço para ver o que se passava lá no fundo. Qual não foi sua surpresa ao ver o monge firmemente agarrado a uma grande pedra que havia na lateral. Por um momento ficou mudo de espanto, para logo em seguida gritar zangado:

- "Ei, o que é isso? O que faz o senhor aí? Pare já com essa brincadeira! Está escurecendo, logo será noite. Vamos, largue essa rocha para que eu possa içá-lo".

De lá de dentro o monge pediu calma ao rapaz, explicando:

- "Você é grande e forte, mas mesmo com toda essa força não consegue me puxar se eu ficar assim agarrado a esta pedra. É exatamente isso que está acontecendo consigo. Você se considera um criminoso, um ladrão, uma pessoa que não merece o amor e o afeto de ninguém. Encontra-se firmemente agarrado a essas ideias. Desse jeito, mesmo que eu ou qualquer outra pessoa faça grande esforço para reerguê-lo, não vai adiantar nada".

Tudo depende de você. Somente você pode resolver se vai continuar agarrado ou se vai se soltar. Se quer realmente mudar, é necessário que se desprenda dessas ideias negativas que o vêm mantendo no fundo do poço.

Desprenda-se e liberte-se.



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